quinta-feira, maio 04, 2006

Que responsabilidade social?

Numa altura em que o próprio Presidente da República invoca a inclusão social como chave para o desenvolvimento de Portugal, vale a pena reflectir sobre o papel da responsabilidade social que vai nascendo no povo português sempre capaz de dar uma “mãozinha” aos outros.

Há de facto entre as nossas empresas uma crescente vontade de ajudar ( ou de despistar lucros e assim fugir ao fisco). Há já muito que batalho pelas mais variadas causas e constato que posso agora em 2006 gabar-me de serem ínfimas ou nulas as “ tampas” que levo quando vou “ pedir” em nome de alguém que precisa. A todos muito obrigada! Queria sublinhar aqui a genuína vontade das empresas portuguesas de aderiram ao “so called” marketing social. É bom para quem precisa, muito bom mesmo! Sem todas as nossas “ madrinhas e padrinhos” das mais variadas causas, a bola gigante que queremos empurrar, não sairia do sítio.

Mas já quando falamos de voluntariado pessoal, não empresarial, a porca troce o rabo! Todos nós nos sentimos melhor com a nossa consciência quando ajudamos. A eterna alma escutista de ajudar uma velhinha a atravessar a rua e assim cumprir o juramento solene de uma boa acção por dia, no mínimo, garça entre muitos de nós. Mas, já lá vai esse tempo e a nossa alma escutista vai esmorecendo. Importa ajudar, mas menos pelos outros do que para nos sentirmos bem connosco mesmo. Há lá afinal causa mais egoísta? Será que a única verdadeira razão é a nossa própria paz interior? Tipo relaxe como quem sai de uma aula de ginástica, “que bom hoje fui útil ajudei esta e aquela instituição dei colo, dei mimo, dei de comer”? O pior é a irresponsabilidade de tudo isto. Os portugueses comprometem-se a estar das 4 às 5 por determinada causa social e lá se apresentam uma, duas, três vezes mas à quarta – “Desculpe, hoje não vai dar… tenho a minha irmã, a mãe, o papagaio, o periquito, uma compra inadiável, a costureira…” e que se amanhe a causa que conta com a pessoa x para o primeiro turno e a pessoa y para o segundo turno. “ tipo, quem dá o que tem a mais não é obrigado. E nesse “mais não é obrigado” cresce de repente um branco angustiante… aquela criança a precisar de colo, o idoso a precisar de uma consulta… mas enfim os voluntários são voluntários, por conseguinte falham e tornam a falhar… paciência o que é que se pode fazer? Nada. Responsabilizar os portugueses um por um que a causa que defendem não é a própria mas a dos outros, responsabilidade devia ser a primeira das palavras do dicionário antes de Ajuda que começa por A que devia ser a última depois de cumpridas muitas outras, o E de egoísmo, o G de gratificação e o P de pessoal. Chega de brincar ao voluntariado! Creio ser possível de facto empurrar a bola gigante a que Cavaco e Silva chamou e muito bem de inclusão social, mas para lá chegarmos, todos muito “disponíveis” somos ainda poucos.